2003 – 2005

Tenho muito carinho pela história da banda, até mesmo porque ela se confunde com a minha história de vida. No entanto, este período, entre os anos de 2003 e 2005 é muito especial.

Logo após a gravação de nosso disco ao vivo, e tendo o Marconi como membro permanente, continuamos a fazer shows. Nestes, a partir da possibilidade de um outro instrumento, foi possível expandir nossa criatividade, e assim sendo, acabei enveredando por um caminho de composições um pouco diferente do que eu vinha até então percorrendo. Naturalmente, uma grande influência na época foi o guitarrista Ronnie Earl, que tinha estado no Brasil, tocando no Free Jazz Festival. O disco dele, “Blues Guitar Virtuoso In Europe” era ouvido diariamente, e a partir dele comecei a ouvir muito Freddie King também.

De qualquer maneira, eu já havia anunciado na contracapa do disco ao vivo que uma era havia chegado ao fim. Não foi com intenções obscuras que escrevi isto. Eu realmente acreditava, como continuo acreditando, que havia chegado um ponto no qual haveriam mudanças na banda – no som principalmente. E isso se concretizou quando gravamos nosso quarto disco em estúdio, N.O.S. (New Old Stock).

A gravação de nosso disco ao vivo, em 2003, foi um sucesso e estávamos a todo o vapor, Muitos shows, em vários locais, contando com diversos convidados.

Neste interim, recebi durante um ensaio em setembro de 2004, um telefonema de nosso amigo Fabrício Nobre, perguntando se haveria interesse de nossa parte em abrir o show do Deep Purple em Goiânia, no dia 12/9/2004. Como? eu respondi… É claro que sim !. O show seria um dos primeiros daquela turnê da banda, e aconteceria no Ginásio Goiânia Arena. Neste show, antes de nós, também se apresentou a banda do Fabrício, o MQN. A experiência foi marcante para mim. Naquela época, fomos informados de que faríamos nossa passagem de som às 16h00, sendo que o Deep Purple checaria o som das 14h00 às 16h00. Neste caso, como tínhamos acesso livre, nos dirigimos ao local do show mais cedo para acompanhar a passagem de som das lendas do rock. Para nossa surpresa, a banda chegou pontualmente às 13h45, passou o som com absoluta tranquilidade, e “entregou” o palco a nós exatamente às 15h45. A precisão nos horários seria novamente assunto, quando muitas pessoas chegaram ao Goiânia Arena no fim do show da banda inglesa, assustados, achando que a banda iria se atrasar. Ora, isso não faz parte da postura deles. São ingleses, e horários existem para serem cumpridos.

Outro fato marcante e digno de nota foi a organização do palco, muito limpo, com lixeiras estrategicamente posicionadas nas extremidades do palco. Além disso, o roadie do Ian Paice, muito gentil, indicou uma delas a um roadie meu na época, que havia deixado displicentemente cordas das minhas guitarras pelo palco afora. De quebra, ter o Roger Glover assistindo nosso show, bem próximo de mim, foi uma lição de humildade. Incrivelmente, deste show não tenho nenhuma fotografia, nenhuma gravação de imagens – nada.

O processo de gravação e outros detalhes sobre o disco N.O.S. (New Old Stock) estão na seção discografia. Sem dúvida, a parte mais interessante é a que envolve nossa participação no Grammy Latino em 2005. Como eu relatei, foi a partir deste disco, entregue pelo Kim Silva ao presidente do Grammy, que recebemos o convite para tocar na After Party Celebration. Esta era uma festa realizada após a cerimônia televisionada do Grammy, apenas para os VIPS. Quando confirmamos a nossa participação, através de assinatura de contrato que chegou até as minhas mãos via FEDEX, passamos a sonhar. O que iria acontecer?

Foi designada, cerca de quarenta dias antes do evento, uma pessoa para cuidar do nosso show, tratando de detalhes tais como rider técnico e outras necessidades. Este senhor, já de certa idade, havia sido tour manager dos Jackson Five e de José Feliciano. Extremamente cortês, conduziu o processo com muita naturalidade, me telefonando constantemente, tirando dúvidas e aparando arestas, de maneira que o show acontecesse da melhor forma possível.

Ainda naquela viajem, em um dos dias nos quais estávamos passeando por Los Angeles – especificamente em Venice Beach, berço do The Doors – percebi que o Marconi havia ficado muito mexido com tudo aquilo. Conversamos, e ali sabíamos que ele não continuaria mais na banda, tendo tomado a decisão de mudar-se para os EUA o mais rápido possível. Foi o fim de um período muito legal, muito intenso, de muita criatividade e produção.

 

ANDRÉ MOLS

(SEÇÃO EM CONSTRUÇÃO – POR FAVOR, RETORNE EM BREVE)

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