Trio

TRIO foi um disco muito intenso. Voltamos ao já conhecido Up Music, dessa vez para uma pré-produção comandada pelo Paulinho, gravada no estúdio “Caverna”. Foi a primeira vez que usamos o processo de gravação digital, e a plataforma era o Vegas Audio, rodando em um PC. A pré-produção deu uma ótima dimensão do que seria o disco, e voltamos para o estúdio da banda para concluir os preparativos. A gravação aconteceu em julho de 2001.

Devidamente instalados na sala principal do Up Music, posicionamos o equipamento de baixo na saleta menor, e a bateria (uma Pearl Master Custom Amarela, com bumbo 24′) juntamente com meu amp ficaram na sala principal, separados por alguns biombos. Assim como nos dois discos anteriores, não usamos metrônomo. A gravação foi bem rápida, e eu gravei alguns overdubs de guitarra, além de refazer as vozes.

Um dado importante em relação a esse disco é que a minha intenção era limitar os agudos do disco em 12Khz, que era o limite para a gravação de agudos no período áureo desse famoso estúdio (pelo menos foi o que eu li na época, se não me engano na revista Guitar Player. De qualquer modo, o som do disco é mais “fechado”. Com o avanço da tecnologia, eu mesmo resolvi fazer a mixagem e a masterização do disco na minha casa – uma tarefa e tanto! Só consegui essa proeza por causa do grande auxílio do nosso amigo Bráulio “o Louco” Lorenzo, que montou um PC com todos os programas que eu precisava e me emprestou a máquina para o trabalho. O Bráuliio nos ajudou muito ainda, em tantas outras oportunidades.

Assim, fechei o som do disco. O projeto gráfico, assim como o do disco anterior, trazia 3 elementos na capa. Desta vez, três knobs do meu amplificador. As fotos são do Geraldo Gomes mais uma vez, e novamente o espaço poeirento onde surgiu o Centro Cultural Oscar Niemeyer serviu de cenário, além de outras fotos muito bonitas organizadas pelo Renato.

Marcamos o lançamento desse disco para o espaço chamado “Master Hall”. Fizemos muita propaganda, com o auxílio fundamental do Luiz Cláudio Araújo na Organização Jaime Câmara e também com o auxílio inestimável de Marcílio de Moura, na época à frente da Hang Ten. Além deles, vários outros amigos estiveram diretamente envolvidos no sucesso do evento – Rogério “Bodão” Mattos, Luciano “Show”, Magno “Blues For All”, além do nosso roadie de longa data, Reinaldo “Pantera” Sodré.

O show foi um sucesso, com o espaço absolutamente lotado. Sonorização e Iluminação competente do Studio K, design do cenário com o Renato, é claro. Infelizmente, o CD não ficou pronto em tempo, e experimentamos a frustração de fazer um super show de lançamento de um CD sem tê-lo à venda. Pouco tempo depois, eu e Wagner fomos pessoalmente à sede da Braspress em Goiânia, e enchemos a Ford Courier dele com caixas e mais caixas de discos.

Vale agora, depois de todo esse tempo, explicar o que aconteceu. Algum tempo antes do show de lançamento conhecemos uma pessoa em um show na Praça Universitária, e segundo ele era dono de um selo no interior de São Paulo, de nome MAB – Música Alternativa Brasileira – e estava em Goiânia em busca de bandas. Afirmou que queria muito lançar nosso disco, e ficamos combinados que isso iria acontecer. Mandamos todo o material para ele, marcamos a data do lançamento e começamos a trabalhar. Fizemos a nossa parte, mas ele não.

O mais impressionante é que ele veio ao show de lançamento. Passado algum tempo, fizemos uma investigação mais profunda, e por conta das amizades que conquistamos em Campinas (SP) e região, conseguimos encontrar algumas respostas. O indivíduo era um mentiroso, buscamos enriquecimento ilícito, e havia aplicado golpes dessa natureza por lá.

Foi muito triste, mas foi o fim da história. Nunca mais quis depender disso. A “DO BOLSO RECORDS” estava de vento em popa.

André Mols

2014 JamSession © All rights reserved.