Sete

No primeiro semestre de 2006 participamos do Projeto Executiva no Palco Especial, fazendo um total de 12 shows em Goiânia ao longo de 6 meses. A Organização Jaime Câmara mais uma vez, através de nosso amigo Luiz Cláudio Araújo, nos ajudou muito. Nesta época eu estava compondo músicas em português, algo que eu queria fazer a tempos, mas que não tinha tido a oportunidade ainda. Na verdade, devo dizer que não componho permanentemente. Quando me decido por gravar um disco, normalmente tenho uma ou duas músicas prontas apenas, e daí em diante componho todas as outras.

Assim, houve um conjunto de situações que contribuiram favoravelmente para o que a banda fez logo a seguir. Eu estava com 80% do que seria o disco SETE já composto, e veio a oportunidade, através de outro amigo – o Ricardo Darin – com quem havíamos nos reencontrado em Los Angeles por ocasião do Grammy, de gravar a pré-produção do disco no estúdio da banda. Levamos o equipamento do Ricardo, que diga-se de passagem sempre foi espetacular, e trabalhamos uma semana nisso. O Ricardo eventualmente montaria uma estrutura completa e funcional sob forma do Estúdio Volt, que existe em Goiânia com sucesso até hoje. No período da pré-produção ele foi extremamente competente no sentido de entender as ideias que estavam na minha cabeça, e uma dúvida que tenho até hoje é se não deveríamos ter lançado aquela gravação como o disco SETE. Acredito, olhando para trás, que teria mais a minha “cara”, o que é perfeitamente natural. A vida é feita de experiências, e essa é uma que foi de grande importância para mim.

Gravamos a pré-produção até o dia 20 de julho, aproximadamente. O resultado ficou muito bom, e começamos a pensar no que faríamos dali em diante. Ainda no primeiro semestre de 2006 me reencontrei com um grande amigo, o Neto. Havíamos desenvolvido vários trabalhos (não ligados à música) juntos em anos anteriores, e ele ficou muito feliz ao saber das novidades que eu tinha para contar. Ele se dispôs a dar um incentivo financeiro à banda, e com isso vi a possibilidade de fazer, com o disco SETE, algo que eu queria fazer a muito tempo –  ter, um produtor musical para o disco, deixando comigo apenas a parte artística da coisa. Assim, Eu e o Wagner fomos a São Paulo conversar com o Tadeu Patolla, que tinha sido o responsável pelo som do Charlie Brown Junior, sobre essa possibilidade.  O interessante é que, na época, o próprio Tadeu nos perguntou se realmente queríamos gravar novamente aquela pré-produção…

Acertamos todos os detalhes, e no segundo semestre de 2006 fomos para São Paulo gravar no estúdio Audio Mobile. O prédio onde fica o estúdio é o espaço que abrigava a fábrica da Continental Discos. E foi lá que o LP “2º BanRock”, do qual participei ainda no Frenesi Precoce, na “Época do Rock” havia sido fabricado. A vida é engraçada…

Gravamos montando uma base, com metrônomo. Depois o Renato gravou baixo, e eu gravei guitarras e violões. Lá também nosso amigo Hernani Teixeira (Irmão do Marconi) um dos maiores violinistas que já vi tocando ao vivo, gravou 4 tracks belíssimos de violino na música “SE”.

Gravamos o disco, e a mixagem aconteceu no estúdio do Tadeu, ali perto de Congonhas. A masterização ficou a cargo

Fizemos o lançamento deste disco no Teatro de Arena do Centro Cultural Martin Cererê, no fim do primeiro semestre de 2007. Quando o disco foi lançado, a banda recebeu muitas críticas, pelos mais variados motivos. Foi um período realmente muito difícil para todos. Logicamente recebemos muitas críticas favoráveis também. Neste período percebi como as pessoas entendem a música produzida como propriedade delas, esquecendo que, antes de mais nada, trata-se da representação da realidade a partir da ótica do artista no momento em que este está vivendo – podendo ser inclusive algo que estava guardado, escondido, e que é muito caro a quem produziu o trabalho.

Naturalmente, a democratização advinda da internet e a possibilidade das pessoas registrarem suas opiniões dá margem a todos os tipos de posicionamento, inclusive alguns que são no mínimo deploráveis.

De qualquer forma, o disco SETE é mais um registro indelével da trajetória de seres humanos na Terra. Eu acho que isso por si só basta.

 

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