Live

O disco ao vivo da TNYFBB veio como uma necessidade. Os shows da banda tinham como marca registrada uma intensidade e energia dificilmente reproduzíveis em um disco de estúdio. Neste período – 2002 a 2003 – entrei em contato com nossos amigos de longa data, Fabrício Nobre e Leo Bigode, da Monstro Discos, sobre a possibilidade deles entrarem na empreitada “disco ao vivo”.

Fomos prontamente atendidos, e a partir daí fizemos algumas reuniões para decidir como aconteceria a gravação. Decidimos usar como espaço o Teatro Pyguá, do Centro Cultural Martin Cererê, em Goiânia. Agendamos dois dias consecutivos para a gravação, e chamamos novamente nosso amigo Paulo Celestino, que ficaria responsável pela gravação, em uma estação remota de máquinas ADAT. Para a sonorização dos shows, convocamos o Alfredo, da empresa InSide, responsável por muitos shows da banda e por tantos outros promovidos pela Monstro Discos.

A Monstro também ficou responsável pelo bar, nos deixando livres para mantermos nossa atenção nos shows. Para estes, preparamos um repertório que contemplava somente músicas autorais, com os arranjos para show. Como convidados, tivemos mais uma vez a presença de Uirá Cabral na gaita, Cleiton tocando berimbau em “You Were So Blind” e Marconi Henrique, no teclado. No suporte à banda, novamente Reinaldo “Pantera” Sodré. Nos shows, contamos com a presença de ótimo público, que contribuiu com seu entusiasmo.

Após a gravação, fui para o Up Music, e mixei o disco no estúdio Caverna com Anderson “Robocop” ao longo de uma semana. Não foram feitos overdubs, e coube a mim a difícil tarefa de escolher quais versões (de qual show) iriam para o disco. Fizemos ali mesmo a masterização.

A capa foi produzida pelo Renato, com foto de capa novamente de Geraldo Gomes, e fotos de diversas pessoas no encarte. Merece destaque o fato de termos tirado a foto de capa em minha casa, participando dela meu pai e minha mãe – um momento muito feliz para mim.

Caso à parte foi o texto que escrevi para figurar por lá, escrito em fevereiro de 2004. O título é “Uma era chega ao fim”, e diz: Pode soar mórbido, mas não é. Sim, é o fim de uma era. Muito foi feito, sem dúvida, mas certamente é hora de ir em frente. Sem mais destruição ou queima de guitarras ! Esse disco tem um sabor muito especial. Ele indica o fim de um ciclo que em sua essência é vitorioso. Vitorioso porque estabeleceu TNYFBB no que se tornou. Emocionante, profunda de sentimento, apaixonada. Ele indica que chegou a hora de alcançar outros níveis, outros significados, outros céus. É chegada a hora de trazer à tona tudo que tem sido tão secretamente guardado. Esse disco indica o fim de uma era, e orgulhosamente anuncia a próxima. Nós agradecemos a todos vocês que estiveram conosco e nunca nos abandonaram.

Naquele tempo, tive a necessidade de escrever o texto, mas não consegui ter a dimensão exata de seu significado. Ao mencionar o fim de uma era, me referi ao fim de um ciclo, mais precisamente do ciclo inicial da banda, que se pautava no blues texano de Stevie Ray Vaughan principalmente. É possível que, subconscientemente, o fato de termos começado a tocar como um quarteto ao incorporar nosso amigo Marconi Henrique ao time entre 2003 e 2005 fez com que nossos horizontes musicais se abrissem mais. De qualquer forma, essa é outra história…

André Mols

2014 JamSession © All rights reserved.