Blues & Beyond

O disco BLUES & BEYOND, segundo da gravadora “DO BOLSO RECORDS”, veio pouco tempo depois de nosso primeiro disco, entre 1997 e 1998, ,sem nenhum patrocínio, totalmente pago com dinheiro que a banda ganhou em seus shows e que os membros doaram. A gravação aconteceu no estúdio Up Music, do nosso amigo Paulo Celestino. Lá tivemos a nossa primeira experiência em um estúdio que nos oferecia amparo e cuidado. Gravamos ao vivo, sem metrônomo, todos juntos, com uma separação de sala simples. Overdubs também foram feitos lá.

O técnico de gravação foi nosso antigo conhecido, Anderson “Robocop”. Ele já trabalhava em shows conosco ainda na “Época do Rock” como técnico de som trabalhando no Studio K. A sua capacidade, rapidez, tranquilidade e eficiência contribuíram muito para o resultado final do trabalho. Não houve nada que eu quisesse fazer, como produtor do disco, que ele questionasse.

O disco foi mixado e masterizado no Up Music, também pelo “Robocop”. Outra novidade neste trabalho foram os convidados. A lista cresceu, tendo novamente Uirá Cabral na gaita, e ainda nosso grande amigo Sérgio Pato na percussão – com direito a caixa de congada, moringa e tudo mais – e o Cleiton tocando berimbau em “You Were So Blind”.

Um destaque à parte foi a participação do Ricardo SIviero, tecladista de Bento Gonçalves (RS), que conhecemos quando trouxemos Solon Fishbone & Los Cobras para tocar conosco no Território Brasileiro. Eu fiz uma lista das músicas nas quais eu achava que o teclado daria certo, fiz anotações sobre os timbres, e gravamos uma fita ADAT com a base das músicas. Despachada por Sedex, essa fita chegou alguns dias depois com os teclados fantásticos que o Siviero gravou. Somos a ele eternamente gratos pela gentileza.

Assim como o primeiro disco, o segundo também foi gravado utilizando a tecnologia ADAT. Estas eram fitas magnéticas com capacidade para gravar até 8 canais simultâneos. Conectando mais de um gravador a outro, você tinha a opção de ter 16, 24, 32 canais, e assim por diante. Posteriormente, foi feita uma automação na mesa de som Yamaha O2R do estúdio, que, durante a conversão das multipistas para uma pista estéreo, tratava de fade ins e fade outs, efeitos, etc. A masterização já foi feita em computador, utilizando os recursos disponíveis na época.

As fotos da capa foram um caso à parte. Tínhamos participado do 1º FICA – Festival Internacional de Cinema Ambiental – na Cidade de Goiás (a história dessa participação é um caso à parte, que narro na seção “História”). Decidimos ali que iríamos tirar fotos por lá. Naquela época o amigo que topou a parada foi o Elber Paulo. Ele é meu amigo de infância, e tinha uma van. Isso facilitou tudo. Fomos a Goiás, e lá tiramos as fotos. Vale lembrar que na parte interna temos fotos que tiramos dentro de uma casa, na Praça do Chafariz. Devo dizer que hoje em dia não me recordo o nome da família que nos acolheu tão bem. A eles devemos nosso respeito e agradecimentos.

O Renato optou então por produzir a capa em uma gráfica de Goiânia. Assim, os cds chegaram da fábrica e tivemos que colocar a capa em todos, um a um, manualmente. Por conta do layout dela – que se desdobra formando um grande poster, o tempo para que a tinta secasse foi maior, o que aumentou a nossa ansiedade, já que precisávamos dos discos para o show de lançamento, que tinha data marcada.

André Mols

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